Conserveira do Arade
O sabor do mar, preservado à mão
A história da Conserveira do Arade começou com uma visita ao Museu de Portimão. Foi aí que Vincent, um belga apaixonado pela cultura portuguesa, descobriu que a bacia do Arade chegou a albergar 23 fábricas de conservas. Nenhuma tinha sobrevivido e foi precisamente essa ausência que o inspirou a reavivar uma tradição esquecida.
Depois de três anos de pesquisa e longas conversas com antigos operários conserveiros que lhe transmitiram os gestos do ofício, nasce em 2015 a Conserveira do Arade. Hoje, é a única conserveira de peixe do Barlavento Algarvio e uma das poucas em Portugal onde todas as etapas de produção são realizadas inteiramente à mão.
Para a equipa da Conserveira do Arade, a melhor forma de honrar a tradição é partilhá-la : é por isso que abre as suas portas a todos os que desejam descobrir a autenticidade de uma verdadeira fábrica de conservas em pleno funcionamento.
Fazer as Coisas de Forma Diferente
Na Conserveira do Arade, cada escolha é cuidadosamente pensada. Enquanto a maioria das conserveiras recorre a processos industriais, aqui todas as etapas são realizadas inteiramente à mão, desde a preparação cuidadosa do peixe até ao enchimento de cada frasco. Produzidas em pequenos lotes, as conservas ganham forma com ingredientes selecionados na região, provenientes de poucos quilómetros de distância. Mais lento, mais exigente e mais próximo da tradição, este é um trabalho feito com cuidado, respeito pelo produto e uma atenção ao detalhe que não conhece pressas.
"Esse mesmo espírito reflete-se na própria produção. Para as suas conservas de sardinha, a equipa decidiu repensar um processo que a indústria considerava adquirido há décadas: a pré-cozedura do peixe antes da conservação."
Em vez disso, optaram por um método de desidratação lenta que preserva melhor a estrutura do peixe e retém mais da sua gordura natural. O resultado é uma sardinha mais próxima de uma acabada de cozinhar: firme, suculenta e cheia de sabor. Tanto quanto sabem, são os únicos em Portugal a fazê-lo desta forma.
A Arte portuguesa do petisco
Em Portugal, o petisco é muito mais do que uma refeição ligeira: é um prato para partilhar entre amigos, um momento de convívio que se prolonga sem pressa à volta da mesa. Uma forma bem portuguesa de comer devagar, saborear cada momento e desfrutar da companhia.
Foi este espírito que inspirou as Petiscadas Saboreal. Cada frasco reúne uma receita de peixe desfiado à mão, combinado com legumes e temperos do Algarve, pensada para barrar no pão ou servir de base a uma massa, um arroz ou uma salada.
Conheça o Vincent e o Manuel
Belga de origem, algarvio de coração. Vincent Jonckheere descobriu a história das conserveiras do Arade durante uma visita ao Museu de Portimão e nunca mais conseguiu esquecer a ideia. «Era impossível que esta região não voltasse a ter uma indústria de conservas.»
Após três anos de investigação, fundou a Saboreal, em 2015, devolvendo ao Parchal um ofício que parecia perdido.
O que vai descobrir
- Visita guiada às instalações de produção
- Observação do processo artesanal realizado manualmente
- Prova de produtos selecionados
- Visita à Mercearia do Algarve, a loja da fábrica onde é possível adquirir conservas e outros produtos regionais
Tudo o que precisa de saber.
Nota: Como se trata de uma fábrica em pleno funcionamento, as atividades diárias variam consoante o planeamento da produção, as condições do mar e os requisitos de higiene e segurança alimentar. Por esse motivo, não é possível garantir que haja peixe em processamento visível em todos os momentos.
Ainda assim, o universo da conserva artesanal é sempre dado a conhecer da forma mais visual possível, através da explicação dos diferentes processos e saberes que dão vida a este ofício.
Aproveite para descobrir a região.
Vale a pena apanhar um barco na marina de Portimão para subir o rio Arade até Silves, seguindo uma antiga rota fluvial ligada à pesca, às conservas e ao transporte de mercadorias. Em alternativa, pode explorar as grutas de Benagil ao longo da costa algarvia ou simplesmente terminar o dia em Ferragudo, antiga vila piscatória, num jantar descontraído no Fim do Mundo.
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